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14/11/2014 - Por que pensar como um humorista pode ajudar você a ter mais sucesso

Murilo Gun nasceu e cresceu, como todos nós, em uma sociedade que costuma demonizar os erros. Como todos nós, ele viu milhares de pessoas se sentirem diminuídas por não obterem êxito de imediato. Mas, diferentemente daqueles que optaram por aceitar os fracassos como pecados absolutos, Gun decidiu que as falhas seriam contadas por ele como parte da trajetória rumo ao sucesso. E esse foi seu primeiro acerto. 

O pernambucano começou a empreender ainda na adolescência, já utilizando a internet para criar sites de entretenimento. Recentemente, foi selecionado para estudar na Singularity University, instituição da Nasa voltada para inovação mantida pelo Google, Ideo e várias outras companhias. Concluiu o curso e voltou ao Brasil cheio de ideias na cabeça. 

Na semana passada, durante a HSM Expomanagement, onde palestrou sobre inovação e criatividade, Murilo conversou com o Administradores.com sobre esses e outros assuntos. Confira abaixo:

Administradores.com - Você começou a empreender na adolescência e já participou de projetos em diversas áreas. Qual o segredo para manter a criatividade viva?

Murilo Gun - Eu diria que ser criativo não é um dom, não é técnica. Eu diria que é hábito. Não existe uma "coisa" que você faz durante a semana que te torna criativo. Me manter criativo é um hábito que eu cultivo durante todo o meu dia. Primeiro, tenho que dizer que a criatividade, para mim, é um processo básico de entrada e saída, input e output. O output é o resultado criativo, o que a gente vê, isto é, consequência, você não controla. O processamento é a nossa inteligência combinando. A grande variável é o input. É o quanto você está em busca de conhecimentos e experiências diferentes. De informações que poucas pessoas têm. Posso dizer que é um pouco do meu hábito meu infantil, de questionar o por que das coisas, de ser curioso e ter interesse por diversas áreas. Eu acho esse culto ao especialista, presente na nossa sociedade, muito ruim. Eu morei um tempo no Vale do Silício e eles falam muito em conhecimento no formato de T (T shape), que é você ter um conhecimento profundo, vertical e específico, mas também a base do T que seria o conhecimento superficial em várias áreas. É uma espécie de teia do conhecimento. Você tem que reunir vários inputs. Por exemplo, aqui em São Paulo existem muitas feiras, eu fui a uma do agronegócio. Nada a ver né? Quantos comediantes ou palestrantes vão a feiras desse tipo? Isso me traz um novo universo do que os publicitários chamam de referências. Viajar também me acrescenta bastante. Então, de volta a sua pergunta, o que me mantém criativo é esse fator infantil de ser sempre um curioso, questionando e nunca ficar restrito a uma área. Se interessar por tudo! Lembre-se que as informações se conectam, um dia aquilo que você viu na feira de agronegócio vai se conectar com aquilo que você leu na revista Capricho, que eu leio. Vou te contar, sempre que eu viajo de avião eu compro uma revista que nunca iria comprar.

Murilo, e quanto à sua experiência na Singularity University, no Vale do Silício? Como foi essa experiência?

A Singularity fica no Parque de Pesquisas da Nasa, exatamente no Vale do Silício. O pessoal chama de Universidade do Google, mas na verdade o Google é um dos mantedores do lugar. Eu fiquei sabendo da Singularity em um livro sobre futuro e inovação disruptiva. Para mim, comediante brasileiro, aquilo deveria parecer muito distante. Mas eu, um curioso, decidi ver como funcionava aquilo. Procurei na internet e descobri que, como em qualquer universidade, você se inscreve e participa de um processo seletivo. Eu conheci um outro brasileiro que já tinha ido. Ele me deu dicas sobre qual perfil de pessoas eles procuram, para que eu vendesse o peixe certo e deu certo. Tudo que eu posso dizer sobre a experiência lá é que foi muito louca.

Você colocou o humor na rota do empreendedorismo. Qual o potencial do humor como negócio, hoje?

Eu tenho uma teoria do "Humor Aplicado". Acredito que o humor pode ser aplicado gerando valor em três áreas. Primeiro, para entregar conteúdo. Muitos reclamam da Geração Y, que é dispersa e não sabe assimilar as informações. Agora eu pergunto: A culpa é do jovem ou daquele responsável por entregar o conteúdo? São professores e palestrantes que continuam com a mesma forma de fazer sempre! Não é o novo que se adapta ao velho, é o velho que se adapta ao novo. Por isso que eu sempre acredito que o humor é uma forma de entregar conteúdo. Você pode usar essa ferramenta para tratar de qualquer assunto, basta não ser chato. Muitas pessoas se transformam com um paletó, ficam sérias demais, chatas demais e com linguagem sisuda. Eu diria para elas falarem como no cotidiano.

Segundo, para mudar o comportamento. Existem pessoas que acreditam que a mudança de um comportamento só acontece com base na punição ou na recompensa. Eu acredito que adicionar a variável do humor pode promover uma mudança de atitude nas pessoas. Se você quer mostrar a alguém que certo caminho é melhor que outro, torne essa ideia mais legal, engraçada e criativa.

O terceiro ponto é o desbloqueio criativo. Eu tenho a teoria do "Comedy Thinking", que diz que o jeito de pensar do humorista é válido para qualquer pessoa. O humorista tem uma forma de pensar muito boa, mas ele só aplica para besteira e as pessoas não querem raciocinar como um humorista por que acreditam que aquilo não serve para nada. Se você observar o mindset do comediante, a forma como ele capta os inputs, como ele processa e entrega o output, aplicando para o seu negócio, o resultado é incrível.

Você poderia explicar melhor esse teoria do "Comedy Thinking"?

Dentro daquela lógica do input e output, o comediante é o cara que é muito bom em ver, em coisas banais, algo que ninguém viu. Faz parte do nosso trabalho. Por exemplo, ele pensa em olhar para o teto, quando todos estão olhando para o chão. Você se acostuma com isso e começa a colocar para dentro inputs raros. Existe outro aspecto interessante: como o humorista encara o fracasso muito bem. Ele dá a cara a tapa. Cria uma piada e vai lá no palco, correr o risco de ninguém rir.. O humorista que fica na zona de conforto não cresce, por que humor é desconforto. Subir no palco é desconfortável, encarar uma plateia desconhecida, testar piadas... E se não rirem? Então, foda-se, não era piada.

Um dos temas que você sempre aborda é o fracasso. Por que a escolha por esse tópico para discutir com os empreendedores?

Só pelo fato de o fracasso ser mais constante e mais provável que o sucesso, ele tem mais mensagens. Eu diria que o Brasil tem uma cultura muito ruim e que desvaloriza o fracasso. Acredito que o fracasso deveria ser mais valorizado por aqui. O Vale do Sílicio é um lugar que valoriza os erros. O que significa isso? Que eles valorizam quem tenta. Se você afundou cinco startups, desde que tenha sido por motivos diferentes e desde que não tenha ocorrido desonestidade, você tem um grande currículo lá. No Brasil, você seria tratado como um bosta. Sua família fica com vergonha, seus pais não querem nem comentar por que você só fez falir. Enfim, a pessoa fica com medo de tentar. Meu lema é "fail fast". Fracasse rápido. Se eu crio a piada, já falo no palco, coloco no Twitter, vejo o que as pessoas falam e como colaboram com a piada. Então, é melhor fracassar rápido para ter feedback. O feedback retroalimenta aquele fluxo de input e output

Além dessa questão do fracasso, onde você acredita que os empreendedores ainda precisam amadurecer?

Eu diria que no Brasil, por ser um mercado de consumo muito grande, as pessoas se limitam a criar soluções para o mercado interno. Veja: Israel é um país minúsculo e inova muito! É o segundo Vale do Sílicio, mas isso por que o mercado de consumo deles é ruim e eles precisam pensar para fora. É um comodismo do brasileiro pensar apenas nos problemas daqui. É preciso ficar de olho no mundo e antecipar tendências.

Por Agatha Justino

Fonte: Administradores.com

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