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Notcias

27/07/2018 - Gestores necessitam do conhecimento tecnolgico, mas aprendizado fundamental sobre como pensar

Novas técnicas são ferramentas, não as principais  competências  da formação profissional, afirmam especialistas.

 
As novas tecnologias estão constantemente influenciando os modelos administrativos, exigindo que os gestores estejam sempre atualizados. É um cenário moldado pela urgência: técnicas que serviam bem até ontem são obsoletas hoje. Há um aprendizado, porém, que permanece constante e indispensável, como aponta o professor da área de currículos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ex-secretário municipal da Educação da cidade de São Paulo (2001-2002), Fernando José de Almeida.
 
"Há algumas coisas na formação profissional que não mudam. As tecnologias entram [na formação] como elementos para melhorar aquilo cuja necessidade não muda, que é o pensar", diz Almeida. "O pensamento não tem modernidade nem antiguidade, é uma forma de olhar e interpretar o mundo, de se posicionar, que é própria do ser humano. É a essência do conhecimento." 
 
O professor questiona, inclusive, como a questão da rapidez é tratada no ensino de gestão. "O tempo é uma coisa muito fundamental na administração. Sempre se quer economizar tempo. No entanto, a economia de tempo leva à péssima finalização de muitas coisas. Uma tomada de decisão pode ser rápida, o que não quer dizer que seja boa – pelo contrário, pode ser ruim", afirma. 
 
A coordenadora de recursos humanos da Eaco Contabilidade (GBrasil | Curitiba – PR), Mayra Talacimo, diz que cursos que aplicam a andragogia, uma técnica de ensino voltada a adultos, são excelentes para desenvolver o raciocínio.
 
"A própria formação superior, normalmente não nos ensina o mais importante, que é pensar. Cursos que usam a andragogia são totalmente diferentes. Você sai com outra visão, que não teria se ficasse só na parte técnica", diz Mayra. "Tendo uma visão mais ampla, conseguindo enxergar além do 'quadradinho', o gestor consegue ser parceiro estratégico efetivo do negócio", afirma.
 
Equilíbrio na tomada de decisões
 
Para Fernando José de Almeida, boas decisões são pautadas pelo olhar mais atento ao outro e pelo atendimento mais acolhedor, úteis não somente para a sociedade como um todo, mas para o sucesso da empresa em si.
 
 "A economia e a administração, muitas vezes, confundem as conquistas advindas da tecnologia como algo próprio da sua área de conhecimento", destaca. "Nesse sentido, o [verdadeiro] grande planejador, o estrategista da administração de empresas, tem de caminhar com estas duas pernas: a do que é essencial, coerente com a sociedade e a dignidade humana, e a da celeridade do acesso às informações e da tomada de decisões."
 
"Nem todo o lucro é bom para a empresa. Você pode matar a galinha dos ovos de ouro", afirma o professor da PUC-SP, sobre o cuidado que o gestor precisa ter em relação aos colaboradores. "É o que o [Henry] Ford, em 1920, já defendia: 'Tenho de ter uma empresa que produza algo que meu funcionário possa comprar. Se não for assim, tem algo errado."
               
Almeida lamenta, porém, que o ensino superior esteja tomando o rumo exatamente oposto, que pode prejudicar o desenvolvimento brasileiro.
 
"Nos últimos três anos, o mercado público de formação universitária, que corresponde a 84% do atendimento da população brasileira, está vorazmente se direcionando para fornecer uma formação muito vazia, rápida, meramente com a finalidade de gerar lucro para a empresa", critica. "As instituições superiores brasileiras oferecem, muito frequentemente, a formação para a pessoa, para possibilitar apenas que ela entre no mercado. E uma universidade não tem essa função, mas, sim, a de fazer a formação das bases de conhecimento de um país", conclui.

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