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Notcias

05/11/2018 - Feiras impulsionam economia criativa e transformam experincia de consumo

Eventos encorajam interação entre pequenos produtores e clientes, além de oferecer apresentações musicais e outras atividades culturais

 
O conceito de economia criativa é bastante amplo e pode abranger diversos tipos de atividades, como criação de jogos eletrônicos, moda, design, arquitetura, publicidade artesanato, eventos culturais, música e artes visuais, entre outras. Não há uma definição precisa, mas a matéria-prima principal das empresas do setor, como próprio nome indica, é a criatividade. No Brasil, no decênio compreendido entre 2003 e 2013, esse mercado cresceu quase 70%; em 2015, correspondeu a 2,6% do produto interno bruto (PIB) do País, equivalentes a R$ 155 bilhões – os dados são da Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Embora não haja um compilado mais recente de dados, a consultoria PwC estima que a economia criativa brasileira vá crescer 4,6% até 2021.
 
Um segmento que ilustra como o mercado criativo é diferente são as feiras que conjugam a venda de produtos artesanais com atividades artísticas, como música e intervenções, e proporcionam uma experiência que vai muito além da simples compra.
 
"A expansão da economia criativa caminha junto com as mudanças no comportamento do consumidor. Existe um movimento que vem se expandindo, de forma acelerada, contra a produção em massa e o consumo pelo preço baixo em direção à lógica do consumo consciente e gerador de experiências afetivas", explica uma das idealizadoras da Curadoria Selva, que acontece desde o início de 2018 em diferentes locais da cidade de São Paulo, Elisa Andery.
 
Em sua quarta edição, o evento recebe, em média, 2 mil pessoas e tem 40 expositores de áreas como moda, design e gastronomia, além de oferecer oficinas com temas variados, como a produção de cosméticos naturais, técnicas de tear e meditação. Para embalar tudo isso, há sempre apresentações musicais.
 
"A Selva representa marcas independentes e artistas que têm a alma brasileira e querem reinventar o futuro. Todo conceito – desde espaço e comunicação até experiências e curadoria – foi pensado de forma criativa para expandir cada vez mais o projeto e todos os empreendedores envolvidos", afirma Elisa. 
 
"Os expositores nos acompanham nas redes sociais. Quando abrimos a curadoria, eles se inscrevem, e, então, nós convidamos as marcas selecionadas e eles pagam uma taxa por espaço", explica a empreendedora, sobre o processo de escolha dos expositores. "Temos alguns que já são residentes, mas reservamos 75% das vagas para novas marcas."
 
O sucesso de outra feira de economia criativa da capital paulista, a Jardim Secreto, mostra o potencial do mercado. Atualmente em sua 31ª edição, o evento começou em 2013, mas hoje atrai uma multidão com a mistura de produtos artesanais, gastronomia, música e arte. "Já tivemos 15 expositores, hoje temos 200. O público varia de 6 mil a 15 mil pessoas, dependendo da época do ano e do clima, entre outras coisas", afirma uma das criadoras do projeto, Claudia Kievel. 
 
Deu tão certo que a feira virou um grupo empresarial. Desde 2017, a Jardim Secreto possui um espaço fixo, instalado em um casarão histórico na Bela Vista, bairro paulistano onde o evento nasceu. 
 
"Acreditamos que construímos uma rede forte e talentosa por meio da nossa curadoria, trabalhada há mais de cinco anos no ramo. Esse fato desperta interesse nas pessoas em conhecer os projetos que apresentamos na feira, portanto, as marcas se sentem validadas por participar do evento. Já até cogitamos criar um selo do JS, para as marcas poderem compartilhar e comunicar que fazem parte da nossa rede."
 
Quanto vale?
 
Elisa Andery, da Curadoria Criativa, diz que os produtos vendidos na feira têm um valor semelhante ou mais alto que em lojas tradicionais. "Isso acontece pelo fato de a produção independente ser autoral e em pequena escala. O consumidor entende que está estimulando um sonho, um propósito, uma ideia que fortalece o movimento", justifica.
 
Para a fundadora da Jardim Secreto, Claudia Kievel, preços um pouco mais elevados são consequência natural do processo de produção que norteia o consumo consciente, "que preza pelo trabalho justo e honesto". "Grandes marcas perdem rapidamente o controle de seu gerenciamento, acreditamos que isso deve ser revisto o quanto antes e de forma estrutural", destaca.
 
Claudia explica que, embora a Casa Jardim Secreto tenha gastos de manutenção diferentes de sua versão itinerante, os preços dos produtos são os mesmos. "O que acontece na feira é que você pode falar diretamente com o criador e, quem sabe, conseguir algum preço menor. Mas a ideia é que o trabalho de todos seja valorizado com o valor já estipulado, que não é superfaturado, como acontece no mercado tradicional", garante.
 
O público dos eventos entende bem essa proposta. A universitária Mariana Paz, de 20 anos, é frequentadora assídua da Jardim Secreto e diz que foi pela primeira vez à feira por causa dos produtos sustentáveis. "E da banda que tocou naquele dia", acrescenta.
 
Para ela, é essencial ter mais informação sobre como são feitas as peças que consome, em um ambiente totalmente diferente das lojas de departamento, shoppings ou da impessoalidade da internet. 
 
"Conheci uma loja pequena na feira, de dois rapazes. Eles faziam os desenhos das roupas, que, depois, eram produzidas pela mãe de um deles. Achei muito legal, porque você vê que, sem dúvida, o cuidado que tinham com os produtos era muito maior do que outras marcas por aí", conta. "O clima da feira também é algo que me chama a atenção. É muito gostoso, de paz, sabe?! É muito legal ver o sorriso no rosto das pessoas. Parece que todos estão nessa mesma sintonia."

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