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Novas tecnologias e concorrência maior reduzem os preços de celulares

RIO – Novas tecnologias, uma enorme velocidade de lançamento e muita concorrência entre os fabricantes têm provocado uma queda acentuada nos preços de telefones celulares no Brasil. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da ‘Agência Estado’, o preço médio dos aparelhos caiu 12,33% no atacado no ano passado, a quarta queda anual consecutiva – e o maior recuo nesse período.

No varejo, os preços dos celulares caíram 8,51% no ano passado. E o fenômeno de aparelhos mais baratos só tende a crescer nos próximos anos, impulsionado por investimentos em novos smartphones, que devem representar mais de 50% do mercado brasileiro em 2015.

A intensidade da queda no ano passado foi tão grande que o celular foi, pela primeira vez na história da FGV, uma das cinco principais quedas anuais do setor atacadista medido pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), de acordo com o coordenador de Análises Econômicas da Fundação, Salomão Quadros.

Quadros explicou que o barateamento de celulares é similar ao que ocorreu com eletroeletrônicos, como televisores e laptops, que também mostraram quedas sucessivas de preços com a enxurrada de novidades no mercado. Mas, nos celulares, a velocidade de lançamentos é maior. “Isso veio para ficar. Em um horizonte de longo prazo, os aparelhos mostram tendência irreversível de redução de preço.”

Os lançamentos das fabricantes não ficam restritos aos celulares mais caros, lembrou Bruno Freitas, analista da consultoria IDC. “Hoje, a quantidade de modelos mais baratos é muito maior”, afirmou.

Para o especialista, a crise global de 2008 obrigou as grandes fabricantes a olhar novos nichos de mercado em emergentes, visto que a turbulência internacional derrubou o consumo nos países desenvolvidos. A ascensão da classe C e o contínuo crescimento da renda do brasileiro foram notadas pelas marcas, que direcionaram suas pesquisas para aparelhos voltados especificamente às necessidades desses novos consumidores. “O Brasil virou alvo dos fabricantes. Não é a toa que terminamos o ano passado com 240 milhões de linhas móveis ativas”, afirmou.

Outro fator é o interesse crescente por smartphones, cada vez mais adaptáveis ao bolso do brasileiro. Segundo Freitas, de 2007 a 2011, o preço médio desse tipo de aparelho caiu 30%, similar ao recuo registrado em celulares comuns para o mesmo período (-32%). “Não estamos dizendo que todos os smartphones estejam baratos. Há aparelhos que, quando lançados, custam R$ 1 mil, R$ 2 mil por unidade. Mas, aos poucos, as fabricantes conseguem desenvolver aparelhos nas mais diferentes faixas de preços”, explicou. Atualmente com 14,15% do mercado brasileiro de telefonia celular, os smartphones devem ser maioria em quatro anos, segundo a IDC.

Com nove lançamentos em telefonia móvel no ano passado e sem revelar o número de novidades deste ano, a Sony Ericsson considera smartphones como o segmento mais favorecido pelo impacto de redução de preços no setor nos últimos três anos. “Quando deixaram de ser um produto com demanda de nicho e passaram a ser mais de massa, os preços caíram naturalmente”, disse a diretora de marketing da empresa, Ana Peretti.

Para a executiva, a demanda por esse tipo de aparelho crescerá ainda mais em 2012 e nos próximos anos. “Teremos novos consumidores aderindo a seu primeiro smartphone. Outros, trocando um modelo básico por outro um pouco mais avançado. E, com certeza, sempre haverá público em busca de modelos de última tecnologia”, concluiu.
Fonte: Estadão

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